segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

NUMA TARDE TÃO LINDA DE SOL

Agora que Caetano Veloso resgatou um dos maiores ídolos do pop-brega da música popular, o cantor/compositor Fernando Mendes, eu posso dizer sem ser alvo de chacota que sentia uma vontade irressistível de assistir a um dos seus shows.



O local foi mais apropriado ainda. Clube Carnavalesco BATUSTA DE SÃO JOSÉ, que agora se localiza no bairro de afogados. E lá fomos nós: Eu, Marcela, Vania, Marcílio, Márcia e Lelé (a bala perdida).



Logo no estacionamento descobrimos pelos flanelinhas que eu e Marcílio não poderíamos entrar, pois estávamos de bermudas, mas... poderíamos alugar umas calças lá dentro do clube. Pode ? Pode... É isso que dá charme a um clube tradicional como os BATUTAS e tornou aquela tarde de domingo mais excitante.



Pra não perder a viagem " não, eu não aluguei uma calça" ficamos num bar ao lado do clube curtindo o baile/show que começou pontualmente às 16:00h e consequentemente nos deslumbrando com os trajes de gala daquele pessoal que amava os Beatles e os Rolling Stones.

Por voltas das 20:00h e vários copos de cerveja na cachola, eis que chega uma Van com o prometido, o cantor das meninas: da cadeira de rodas; da platéia; do subúrbio; da janela; da calçada...parece uma obcessão.

E tome correria de dona Marcela e dona Vania pra comprar os ingressos para tão esperado show. Eu fiquei só no bar, curtindo o aúdio e o delírio da platéia a cada nova canção que trazia no ar um pouco de saudade e nostalgia. Música é isso, não um emaranhado de acordes dissonantes que não tocam o coração. Que frase brega...acho que entrei no clima.

E assim, depois da apoteose, voltaram as meninas, não as de Fernando Mendes, mas Marcela e Vania, tentando reproduzir cada gesto, cada delírio do cantor e da platéia, deixando-me a certeza de que da próxima vez vou colocar minha roupa de domingo e não deixarei de entoar a canção "numa tarde tão linda de sol, ela me apareceu...".

Por fim, vale a pena entrar no site abaixo:

abraços

http://www.fernandomendes.com/materias/oglobo.html

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

PRA DAR UM FIM NO JUÍZO DE ZÉ CELSO

Festival de teatro no Recife. Domingo à tarde. Depois da indicação do meu sobrinho Carlos Maurício (ele ainda hoje me deve esta), fomos eu minha mulher Marcela assistir a encenação do "gênio, magistral, soberano, grandioso, eloquente, garboso, titanic" Zé Celso Martinez Corrêa, com texto de Antonin Artaud, a peça PRA DAR UM FIM NO JUÍZO DE DEUS.

Tudo bem que sou um matuto vindo das brenhas de Surubim, pô, mas eu estudei nos melhores colégios da capital e aprendi o que distingue o homem do animal é basicamente que adquirimos e repassamos cultura.

Com um texto planfetário de quem já estava em estágio final de loucura(Artaud) e uma encenação bizarra pra quem já está em final de carreira(Zé Celso), a peça nos atirava nas retinas: um rapaz se masturbando; uma jovem com uma seringa tirando o sangue da veia; outro raspando a cabeça e por fim, um persoangem asqueroso, nu e com o cú virado pra platéia, defecando um líquido branco num copinho de exame de fezes. Lindo, magistral !

Tive saudades de uma rapaziada nos anos 80 que levava estampado nas camisetas o profético e atual slogan "VÁ AO TEATRO MAS NÃO ME CHAME".

Mas, rapaz de boa família que sou, apenas me retirei do teatro sem gritar nenhum impropério, até porque neste momento minha mulher agarava meu pescoço tentando me esganar, por ter lhe prometido uma tarde agradável e profundamente cultural.

Ficaram os hematomas e a certeza de que jamais assistirei outra alucinação deste que é mais um dos enrolões da nossa cultura nacional.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

CHEGA DE SAUDADE

Cinquenta anos de bossa. É um marco, o Brasil deve prestar sua homenagem àqueles que elevaram nossa música a um status internacional. Porém, olhando de longe, temos a outra face da moeda.


O poeta Manuel Bandeira teria dito ao compositos Orestes Barbosa que um dos versos mais bonitos da MPB seria "mas lua furando o nosso zinco salpicava de estrelas nosso chão" da música Chão de estrelas.


Em contrapartida, a música que dá título ao presente ensaio, que é muito bonita, tem o pior verso que minhas pobres orelhinhas tiveram o desprazer de escutar. E o que é pior. Composto pelo poeta Vinícius de Moraes, ouçam: "pois há menos peixinhos a nadar no mar, do que os beijinhos que darei na sua boca" ...arrrrg! Vou ao banheiro depois eu volto.